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Celso Athayde: o afroempreendedor que transformou a favela em um grande mercado

Celso Athayde é fundador da Cufa no Brasil, produtor de eventos e ativista social, especializado em favelas e periferias

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Foto: Douglas Jacó/ Divulgação/ Favela Holding

O afroempreendedor Celso Athayde é fundador da  Central Única de Favelas (Cufa), maior organização não governamental focada nas favelas do Brasil e presente em mais de 17 países, CEO da Favela Holding, além de produtor de eventos e ativista social, especializado em favelas e periferias.

 

O empresário nasceu em 1963, na Baixada Fluminense, região metropolitana do estado do Rio de Janeiro, e criado na favela do Sapo, zona oeste do Rio de Janeiro. Aos 16 anos, Celso já havia morado em três favelas, abrigos públicos e na rua. Segundo ele, as favelas são incubadoras de projetos. “Não aceito que tratem esses lugares como carentes. São territórios onde sobra criatividade, empreendedorismo e inovação com um potencial enorme”, defendeu ao Blog Caldeira.

 

O afroempreendedor não teve um início de vida fácil! Em entrevistas a alguns veículos, Celso contou ter aprendido a se “virar” muito novo. Sua mãe sofria com o alcoolismo e seu irmão mais velho foi atraído pelo tráfico. De acordo com ele, foi pedinte, vendedor, camelô, engraxate e até chegou a roubar para sobreviver. Athayde também afirmou ter atuado em uma facção criminosa e  numa boca de fumo.

Ao se aproximar do hip hop, Celso passou a trabalhar como produtor e viu sua realidade mudar. Ele enxergou potencial de indústria no gênero musical. "Comecei a trabalhar com gente que não queria apenas falar de revolução, mas também construir alternativas. Minha carreira de empresário nasceu na Cufa", pontuou ao site M&M.

Celso é referência quando o assunto é afroempreendedorismo, sendo o primeiro empreendedor social negro brasileiro a ser reconhecido pela Schwab, empresa multinacional americana de serviços financeiros. "Quando eu dizia, lá atrás, que a Cufa era uma organização social com fins lucrativos, isso assustava todo mundo. Agora surgiu essa expressão de empreendedorismo social", lembrou ele ao M&M.

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Athayde e MV Bill

Foto: Portal Geledés/Reprodução

No Sebrae Inova 2023, Celso foi um dos convidados para falar sobre cultura, empreendedorismo e transformação social na Era da Conectividade. Durante o bate papo com a influenciadora Thaynara OG e o cantor Hungria, o empresário expôs sua opinião sobre a representatividade nas empresas: "As empresas possuem diversidade, mas os negros estão sempre em posições subalternas".

Athayde coleciona prêmios ao longo de sua trajetória profissional, como o Prêmio Empreendedor de Impacto Social do Ano pela IstoÉ Dinheiro e o Instituto Itaú Cultural (2017); Folha Empreendedor Social, como iniciativa de ajuda humanitária (2020); e Empreendedor social do Ano em Impacto e Inovação, Fundação Schwab, Fórum Econômico Mundial em Davos (2022).



 

Conheça os projetos de Celso Athayde

 

Central Única de Favelas

Em 1999, em parceria com os rappers Nega Gizza e MV Bill, Celso fundou a Central Única das Favelas (Cufa), no Rio de Janeiro, hoje a maior organização não governamental com foco em favelas no mundo. O projeto, que tem por objetivo dar voz e oportunidade à pessoas negras, é reconhecido nacional e internacionalmente nos âmbitos político, social, esportivo e cultural.

 

A Cufa é criadora de vários projetos, que podem beneficiar negros e periféricos dentro e fora do Brasil, como a taça das favelas, campeonato de futebol, considerado o maior torneio entre favelas do mundo, responsável por revelar nomes como o do jogador Patrick de Paula, do Botafogo. 

O Mães da favela é outra iniciativa da Cufa, que teve o intuito de auxiliar mães solo moradoras de favelas de 17 estados e do Distrito Federal, que estavam sendo atingidas diretamente pelos reflexos da pandemia da Covid-19. O programa social fez parte do projeto “Cufa Contra o Vírus” e conseguiu arrecadar até o momento R$ 1.234.453,00.

 

O Natal da Cufa também faz parte dos projetos da Cufa.  Este realiza edições anuais durante todo o mês de dezembro. Segundo a organização,  geralmente são arrecadados vários brinquedos e toneladas de alimentos, posteriormente distribuídos em mais de 5 mil favelas, em todos os estados brasileiros.

 

Comprometido com as favelas, em 2006, Celso criou o Dia da Favela, comemorado no dia 4 de novembro no Rio de Janeiro, sendo oficializado pela Lei municipal 4.383 de 28 de junho de 2006.

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Foto: Sebrae/Divulgação

Foto: Sebrae/Divulgação

Favela Holding

Fundada em 2013 por Celso Athayde, a Favela Holding foi a primeira holding (Sociedade Gestora de Participações Sociais) a reunir empresas que atuam, ou planejam atuar, em comunidades. Seu objetivo é gerar desenvolvimento econômico nas favelas do Rio de Janeiro, e para isso, o projeto conta com o apoio de 10 empresas que prestam serviços na comunidade.

Os serviços geram trabalho para os moradores das comunidades, resultando no surgimento de possíveis empreendedores que influenciam diretamente na economia local. Em 2021, o grupo controlado por Celso Athayde movimentou R$ 178 milhões. 

 

Meio cultural

Entre os projetos criados pelo afroempreendedor estão o CineCufa, festival de cinema internacional de produções audiovisuais realizadas por moradores de comunidades; a Liga Internacional de Basquete de Rua (LIIBRA), evento que ocorre em 12 países e nos 27 estados brasileiros; o Rap Popular Brasileiro (RPB), festival de rap, festival com o objetivo de criar um diálogo entre o rap e músicas regionais; e o BRADAN, festival brasileiro de breakdance.

 

Como artista, Celso dirigiu e produziu o documentário Falcão Meninos do Tráfico, além de outros filmes como Três da Madruga, Di Menor e Soldado do Morro. Athayde também escreveu livros cujo temas são centrados na favela e no tráfico de drogas.

Matéria: Danielle Souza

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